terça-feira, 5 de dezembro de 2017


Presenciamos a humanização de coisas enquanto gente é desumanizada;
A massificação do homem, enquanto a humanidade é dividida e individualizada;

(jblg)

segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

Resultado de imagem para mensagem garrafa

Uma mensagem nunca enviada;
Com uma palavra nunca antes dita;
Que no seu silêncio guarda;
Todo o segredo de uma poesia;
jblg

terça-feira, 21 de novembro de 2017



Certa feita, um gênio mau disse:

"- Desperdiça tua vida entre tortuosas burocracias;
Vaga, sem rumo, por apáticas rotinas;
Aguarda, sedento, o fim de mais um dia [o fim dos teus dias];

És livre para sonhar;
Mas quando o sol raiar;
A roda tornará a girar;
Inutilmente, eternamente;

(jblg)


sexta-feira, 17 de novembro de 2017

Vende-se a Vida

Aluga-se um amor em regime de comodato;
Compram-se paixões em qualquer esquina;
Podes contratar um pacote de emoções;
E a prazo, parcelar uma alegria;
Oferta-se a vida, uma ninharia;
(jblg)

segunda-feira, 13 de novembro de 2017

O som mais ensurdecedor é o total, imenso e indiferente silêncio do universo frente a nossa pequenez, aos nossos anseios, medos, sentimentos, frente a nossa insignificância.

(jblg)

sexta-feira, 10 de novembro de 2017

Alquimia
Transformo meus pensamentos em versos
Teu olhar, nos meus sonhos;
Teus lábios, em desejo;
Teu perfume, na minha loucura;
Nos versos em que me pego;
Lhe tenho nua;
Beijo-te, amo-te, perco-me;
Escrevo, como que em febre;
Que cada linha, cada verbo traçado;
É de me imaginar no teu corpo;
Que os tenho arrancado;
Forjo uma poesia sem fim;
Neste estranho momento (desejo),
Que anseio (alimento) por ti;
(jblg)

quinta-feira, 13 de julho de 2017

Noite de um tempo impreciso;
Livre de todas as razões e sentidos;
Ouço, do espelho, o martírio;
Voz que entoa o cântico do meu íntimo;
Versos loucos, oniscientes;
Tudo sabem, tudo mentem;
Poemas não confessos que trago a mente;
Poesia não dita (maldita) que assombra minh’alma;

(jblg)

segunda-feira, 26 de junho de 2017

Quero me perder nos confins do seu silêncio;
Ouvir a narrativa do que você não diz;
Emaranhar-me a tal ponto em seu íntimo;
Que não saiba mais o que em mim, ainda não está em ti;
Quero que sejam meus, os seus pecados;
Quero ser o mais tenro dos seus segredos;

(jblg)

terça-feira, 21 de março de 2017

LEVIATÃ

“Eis que é vã a esperança de apanhá-lo; pois não será o homem derrubado só ao vê-lo?” (Jó, 41:9)

Besta fera de tempos imemoriais;
És fogo, forca, lança, masmorras, guilhotinas;
Esconde-se em soldados, cleros, príncipes, deuses, burocratas;
E esmaga em seus dentes os humildes viventes;
Monstro insaciável;
Leva-nos todos por infindáveis redemoinhos;
Arremessa-nos contra nós mesmos;
Irmão contra irmão;
Encantados em sua canção;
Guerras, credos, opressão;
Labirintos de papéis, regras, informações;
Abismos de espera;
Chantagens mascaradas de esperança;
Esmaga-nos;

“Quem abrirá as portas do seu rosto? Pois ao redor dos seus dentes está o terror.”
(Jó 41:14) 

jblg

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Facilidades

Ser contra os direitos do homem, quando se tem os próprios assegurados;
Bradar contra a liberdade, enquanto se é livre;
Encontrar solução para a fome, para a miséria, com a mesa posta;
Pregar a guerra, vivendo em paz;
Odiar, sendo amado;
Segregar, sendo aceito;
Ser juiz, enquanto não se é julgado;

(jblg)

quinta-feira, 25 de agosto de 2016

A simples reflexão sobre o infinito, a eternidade, os acasos que tornaram possível a vida, permite compreender a nossa pequenez, nossas fragilidades e principalmente nossa ignorância frente a todas as coisas. Contemplar o infinito nos dá uma espiritualidade mais verdadeira e profunda do que qualquer teologia poderia com seus dogmas artificiais. (jblg)

segunda-feira, 1 de agosto de 2016

Samsara


Desperto, sem ao menos saber em que dia estou;

Olho o calendário que nada me mostra além de números sem sentido;

A hora que o relógio marca é inexoravelmente a mesma de ontem. Assim como meus passos, gestos, a higiene, o gosto do café, as notícias do jornal, o semblante dos colegas, tudo, tudo o que me cerca é um reflexo da véspera e uma projeção do porvir.

Qual garantia tenho de não estar vivendo o mesmo cíclico, eterno e repetitivo dia?

Não sei onde estou, se preso ao cárcere do ontem ou amarrado a morta esperança do amanhã.

Passado e futuro, gêmeos idênticos filhos do tédio e da melancolia.
(jblg) 

segunda-feira, 18 de julho de 2016

História não contada

Em um tempo já esquecido;
Entre o vazio e a imensidão;
A um desconhecido perguntam:
- Quem és tu?
- De onde vieste?
- Aonde vais?
O forasteiro responde:
A quem chamam, o tempo o nome apagou;
Quem vocês veem é ninguém, aquele que não é;
É a cor do vento;
É a forma d’água;
É o peso do tempo;
Veio de onde nunca foi;
Pela estrada do nada;
Até o nunca será;
Tem a jornada como bagagem;
Sabendo que nunca chegará;
(jblg)

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

Num trato com o mundo;
Distraio-me enquanto distraio o mundo;
Ambos ignorantes de nós mesmos;
Alheios de nossa própria condição;
Podemos nos suportar;
Ah realidade!
Quem depois de a conhecer a vai querer?
(jblg)

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

Viver é a forma mais branda de se morrer;
Já estamos mortos, tudo que passa é mera distração;
Que importa o que passou, o que passará?
Que importa tudo, quando se é mortal?

(jblg)

terça-feira, 4 de agosto de 2015

Verdades, verdades, verdades;
A minha volta só encontro verdades;
Todos os que passam e que conheço são especialistas em tudo, das profundezas d’alma aos confins do universo; (não sem passar pelo capítulo da justiça e da politica, nunca conheci tantos legisladores e juízes em uma esquina...)
Não há mais dúvidas;
Todos se fartaram dos frutos da árvore do conhecimento e jactam-se regurgitando o que consumiram;
A reflexão não é mais necessária;
A discussão é inútil;
O pensamento é morto;
Não há mais sabedoria, apenas razão;

(jblg)

quarta-feira, 8 de abril de 2015

Minha religião não é feita em templos;
Não entoo cantos;
Minha religião é feita de gratidão;
Da compreensão de que tudo temos para sermos plenos.
Minha religião não é seguir, nem ser seguido;
É a busca solitária da própria libertação;
É ver a face de Deus em uma folha caindo;
É perceber a plenitude na entrega do amor;
É compreender a ingenuidade da vileza;
E sentir o sofrimento de cada irmão;
Minha religião não segue preceitos, dogmas, nem leis;
Minha religião é reconhecer-me humano;
Entender que não sou mais, nem menos que ninguém;
Que não somos iguais, e nisso mora nossa semelhança;
Que não existem verdades, pois todas elas existem;
Que somos fracos e falíveis;
E por isso divinos e perfeitos;
Na minha religião não julgo, pois sou nada;
Não barganho paraísos nem perdões, pois sou tudo;
Nada temo, pois amo;
A minha religião é compaixão;
jblg                   



terça-feira, 31 de março de 2015

A madrugada virou culpa;
O silêncio virou medo;
A solidão virou doença;
Os versos, desperdício;
O poeta? Virou poema;

A vida é um oceano de tempo onde navegamos sem rumo empurrados pelo ontem e puxados pelo amanhã. 

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Tic, tac, aponta o Ceifador ;
Tic, tac, cada passo é passo de dor;
Tic, tac, o condenado é a vítima;
Tic, tac, a vítima é o algoz;
Ninguém é livre do crime que comete a si mesmo;
Não há absolvição para o próprio assassínio;
A sentença é certa, é sofrer-se, é ser-se;
Para o criminoso, existir é o suplício;

(jblg)

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Acordara, como todo dia acordara, mas não mais se reconhecera;
Ao espelho era um estranho que olhara, e nada compreendera;
Passageiro de si mesmo, espectador de um autômato;
Ao meio caminho despertara, sem saber da partida;

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Pela manhã deposito a esperança de que algo irá mudar, ou pior, de que irei mudar algo, para a tarde.
A tarde empurro a mesma esperança para o dia seguinte;
No dia seguinte carrego a esperança para o final da semana;
Ao final da semana, deixo-a para a próxima;
E na próxima, é o mês seguinte que se aproxima;
É o ano que virá, da década que desponta;
Passo, passo a passo, movendo o nada para lugar algum, até o instante derradeiro onde não haverá o seguinte;
E no instante último abraçarei o fardo para afundarmos juntos no oceano de vazio;
Busco justificar a existência com a prática de um oficio inútil.

(jblg)

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Poucos suportariam a justiça que pregam aos outros.
Quem não seria condenado quando julgado pela própria justiça?
O réu de si teria absolvição?
Somos um carrasco implorando perdão frente ao espelho;

(jblg)

terça-feira, 16 de setembro de 2014

A verdade é que tenho preguiça da verdade.
A verdade é um castelo de cartas, inútil e frágil obra humana que no primeiro vento se dissolve. Mais do que uma posse, a verdade é um ofício de condenado, um fardo. Todavia, a preguiça que sinto pela verdade só é superada por outra, a preguiça que sinto por quem acha que tem a verdade. Quem tem a verdade é um enfadonho ambulante que insiste em negociar o que não quero, e toma como vitória a venda de algo de que não preciso. (jblg)

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Cárcere
Quando a noite cai e as paixões assolam;
Quando a hora tarda e o peito oprime;
Pudera libertar minh’alma;
Que seu beijo seja a porta de entrada;
Que seu toque seja meu guia;
Que por seu perfume minh’alma seja levada;
Para que livre, na sua encontre morada;
(jblg)

quarta-feira, 30 de abril de 2014

XLVIII

Um homem resume-se as suas paixões;
E abandonar suas paixões é abandonar-se;
E abandonar-se é abandonar sua individualidade, sua personalidade;
Abrir mão de uma paixão é abrir mão de si próprio sem ser outro, é morrer para si;
Quem liberta-se, suicida-se.
E no luto que carrega de si mesmo aprende a viver;
(jblg)

sexta-feira, 25 de abril de 2014

XLVII

Dezetrinta
10:30 diz o relógio;
10:30 para dizer que acordei há 3 horas porque o despertador tocou;
10:30 para dizer que em uma hora e tanto irei comer;
10:30 para dizer que parte do trabalho é findo e falta para as 18;
10:30 de sexta prelúdio do fim de semana, dizendo que nada tenho com que me preocupar;
10:30 para mostrar o que devo fazer;
10:30 para impedir de pensar;
10:30 para impedir de viver;
10:30 para a existência escoar;
10:30 para o tédio vencer;
Que de tanto dizer já são 10:31;

(jblg)

segunda-feira, 14 de abril de 2014

XLV

Quando a vida é doente, tudo vira remédio;
Sexo é remédio para stress;
Meditação é indicada em casos de depressão;
Ter amigos evita infartos;
Namorar diminui o colesterol;
Cantar, dançar, previne ansiedade;
Ter um animal aumenta anos de vida;
Vinho faz bem para o coração;
Para uma vida doente, viver tornou-se remédio;

(JBLG)

terça-feira, 1 de abril de 2014

XLIV

Infelizmente, ou quem sabe nem isso, vim ao mundo desprovido de coisas que tornam a vida um pouco mais tolerável.

Vim ao mundo sem crer em nenhuma grande causa, nunca fui acometido por nenhum grande ideal, nenhuma fé arrebatadora, nenhuma comoção maior.

Tampouco cai em qualquer armadilha que meu ego poderia ter criado, até meu ego é um incompetente. Não cai em ardil, não tenho ilusões de que partirá de mim qualquer grande ação, qualquer grande feito ou qualquer grande ideia que fará alguma diferença no mundo. Até porque, não acredito em grandes ações, nem em grandes ideias, nem em diferença no mundo.

A história salva alguns, por ser incompetente para condenar a todos. Os grandes feitos, os heróis, os vilões, são meros acasos. As coisas simplesmente se dão, pois não poderiam ser de outra forma, e acreditar em algo diferente é tolice, como tudo é.

Vim sem nenhuma boa desculpa que justifique eu ser eu mesmo. Não tenho argumentos, subterfúgios, nem ninguém para colocar a culpa de eu ser o que sou. Minha defesa é nula, sou réu confesso e minha sentença é simplesmente ser-me.

Sou apenas um espectador, e dos piores, dos enfadonhos, sem opinião sobre o espetáculo, só vim até aqui porque o ingresso era gratuito e estava entediado.

(jblg)

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

XXXVIII
Busco, como faminto revirando o lixo, um pouco de vida em cada gesto, cada ação;
Neste ofício, neste réquiem, o tempo passa sem nada deixar;
Não que me considere digno de algo, pouco ou nada fiz ao mundo para desejar algo dele;
O que incomoda é o abismo de vazio a frente;
Com um tropeço caio inevitavelmente, fatalmente, e me espanto com a queda sem fim;
Mergulho, desabar eterno sem chegar a canto algum, sem nada encontrar;
Nem céu, nem chão, somente a própria delusão;
Só que faço é esperar,

(jblg)
XXXVI
Existem coisas difíceis de dizer, quiçá de escrever;
Pegar da caneta e transpor paixão no papel é difícil matéria;
Mas vamos lá, que ao menos nos resta tentar;
Pegar da caneta e lembrar;
Lembrar dos olhares imersos em versos, em vinho;
A expressão de entrega e pavor, torpor, quando nos aproximávamos;
Lembrar dos teus lábios, nossos lábios, unos, tocando-se enquanto fechávamos os olhos;
Lembrar da tua respiração pesada, teus seios arfando em paixão;
Dos beijos no teu pescoço, enquanto lentamente soltava teus cabelos;
Da alça solta do teu vestido, enquanto te puxavas para mim;
Do sabor dos teus seios, tão belos, tão macios;
Da lentidão do tecido caindo, de cada parte do teu corpo;
Do toque molhado do teu sexo, enquanto tuas rendas eu tirava;
Do sentir tua boca em meu sexo, do seu olhar, do seu sabor mais indiscreto;
Ouvir teus gemidos enquanto em garras atentavas minhas costas;
Lembro, lembro de tudo isso, além de lembrar como era o gozo contigo alcançar;

XXXVII
Tenho em minha boca seu sabor mais indiscreto;
Por suas vias proibidas eu vago intrépido;
Seus mares, seus vales, os atravesso;
Em seus caminhos tortuosos, desconexos, desonestos, estou imerso;
Quer com suas unhas minhas asas libertar;
Com um rasgo, a rebentar, a si me puxa;
Como nevoeiro que me cega, seu colo inunda;
Minha mente, minha paz, a tudo turva;
Sou enxurrada que preenche cada parte;
Tomo a obscuridade, somos ilusão de liberdade;
Amantes vis, hereges, aos prazeres entregues;
Da paixão escravos, atados ao destino cármico;
Para ao fim de tudo nos afogarmos em gozo eterno;

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

XXXIV
Náufrago em um oceano de vazio, eis o que sou.
Agarro-me ao pequeno bote, minúscula embarcação onde tenho a minha vida. Vaso que guardo minhas experiências, conhecimentos, posses, a plenitude da minha alma cabe neste medíocre barco, nesta partícula ínfima, reles frente ao oceano infinito, nihil que me cerca.
O que percebo, melhor, o que suponho, é que todos também têm suas embarcações, também têm suas vidas em barcos. Alguns são gigantes, transatlânticos, já outros, como o meu, minúsculos onde mal podemos nos agarrar.
A diferença entre os homens, e o que os faz igual, é como cada um lida com seu próprio. A grande maioria passa a existência em função do seu próprio barco sem notar o abismo do entorno. Todavia, somos todos náufragos que julgam guiar suas naus com destino certo, o que não sabemos é que navegamos pelo nada para chegar a lugar algum.
Todos navegamos, remamos até o certo naufrágio sem nunca ter tido a oportunidade de porto, ou terra.
A vida é um lançar-se a ondas.
(jblg)
XXXV
Do poema que escrevo;
Cada palavra é pedaço da alma;
Cada verso, linha, letra colocada;
É como talho, ferida provocada;
O poema que escrevo;
É vã esperança de cura;
Como se da caneta, invés de tinta;
Corresse sangria d'alma envenenada.

(jblg)

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

XXVI
Escondemos nossos medos atrás de vontades, e assim encontramos uma forma confortável de viver;
Chamamos de saúde e bem estar a nossa vaidade;
Chamamos de vaidade nosso medo da solidão e da rejeição;
Escondemos atrás do nosso entretenimento, da nossa diversão, o medo que temos de encarar nossa realidade;
Escondemos atrás dos outros o medo que temos de olharmos e sermos nós mesmos;
Agimos por medo, somos medo. Medo da morte, da doença, da velhice, da solidão, do ridículo;
Temos medo de não atendermos as expectativas dos outros tanto quanto de não atendermos as nossas próprias. Chegamos ao ridículo de temermos Deus mais do que o próprio diabo;
Acredito que a verdadeira liberdade se dá quando começamos a perder todo nosso medo;
Assim deixamos de ser escravos de nós mesmos a começamos a agir pelo que de fato queremos, e não pelo que tememos.
JBLG

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Meu presente é um misto de lembranças de coisas que nunca foram, que nunca se deram, tudo o que poderia ter sido, ou vivido. Mesmo as impressões de hoje sobre ontem serão diferentes das de amanhã, se é que há amanhã.
Meu presente é um imaginar de um futuro que nunca se dará, simplesmente por ser exatamente isso, futuro. E no futuro nunca chegamos, que quando lá estamos ele já é presente, quando observamos, já é passado, e nós mesmos já somos outros, querendo outro futuro.
Nunca estou, nada sou, não tenham essa pretensão de acharem que me conhecem. Eu sou qualquer coisa que me imagino, que é diferente de qualquer coisa que vocês imaginam.
Vocês também, não me aborreçam, não se afirmem, vocês são apenas impressões, sombras de uma percepção limitada, míope, que é minha razão.
Na verdade, o que são todas as coisas? Digam-me algo que não seja uma impressão cômoda, um sentido confortável que resolvemos dar para um objeto, ou mais além, um sentido que nos foi passado e aceito.
Na verdade, o que somos nós? O que nos caracteriza senão um constante e ingênuo comparativo com nosso entorno, com nossos pares.
Que mundo existe sem o homem? Que homem existe sem o mundo? O que é um indivíduo?

JBLG

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

XIX
Quantos mistérios o oceano, o mar, escondem;
Quantas sereias, paixões, perigos o permeiam;
Que olhos são faróis nas águas sem conta;
Que lábios são terras que ao longe despontam;
Mar infinito, vasto mar;
Quem navega nos próprios sonhos, que pode encontrar?
Mar infinito, vasto mar;
Quem sabe além das ondas, um amor para chamar de lar;
.
XX
Sou um escravo de mim mesmo;
Meus grilhões são minhas paixões;
O medo é meu feitor;
Sou escravo do que quero, e tendo tudo, ainda sou escravo do querer;
Aquele que nada anseia;
Aquele que nada teme;
É aquele que nada sofre;
A realidade é feita de areia;
A vida? Um mero imaginar;
O absoluto? A morte;
Construo um castelo de areia em um piso de sonhos pra me proteger do que é certo;
Sou ingênuo, como toda a gente;
Pudera eu me libertar;
(JBLG)

terça-feira, 23 de julho de 2013

IX
A vida ri dos nossos planos, tão perfeitos, tão bem traçados, da mesma forma como rimos dos sonhos das crianças. É o mesmo enternecimento que temos vendo um pequeno com sua gravura em mãos, e da mesma forma que o elogio da mãe enternece o artista, também nós nos sentimos grandes com nossa ingenuidade.
 JBLG

quarta-feira, 10 de julho de 2013

A falta de otimismo não implica, necessariamente, em pessimismo. Não creio que na forma como levamos a vida exista algum tipo de maniqueísmo mesquinho. O que tenho é cansaço e tédio, um cansaço de não agir e um tédio de maiores emoções.
Levo uma quase vida que não posso chamar de morte. JBLG

sexta-feira, 14 de junho de 2013

A vida é um ofício que se resume a lavrar e juntar as esperanças de hoje e depositá-las no amanhã, no que há de vir.
A problemática reside quando chegamos de mãos vazias no amanhã, e a pessoa que nos aguarda para receber, somos nós mesmos. Chegamos constrangidos, impotentes e cabisbaixos sem nada ter a oferecer, e fitamos, não sem um aperto, a expressão de decepção e tristeza que damos a nós mesmos.

(JB.Guimarães)

quarta-feira, 12 de junho de 2013

Caroline
Versos para falar do amor que sinto por ti;
Poderia me valer de todas as frases, todas as metáforas, mas o que seriam? 
Como descrever seu olhar, sua pele, seu toque, seu beijo;
Seus passos relaxados, o movimento de seus cabelos enquanto anda;
E ainda assim, mesmo com um dom vindo da providência;
Como colocar em meras linhas o que você me causa?
Explicar que o sorriso que me dá é diferente dos demais;
Ou falar do prazer que tenho ao seu lado;
Explicar que não consigo ficar sério, nem carrancudo ao te ver;
Ou a mágica dos momentos contigo;
Não tenho como dizer;
Tento e torço para caber isso e mais dentro de um “eu te amo!”;
Pois é isso meu amor, amo você, um amor sem tamanho. 

terça-feira, 11 de junho de 2013

Sou alheio a tudo o que me permeia, sou um estrangeiro do meu tempo;
Observo os hábitos, gostos, modas, linguajar, tudo, e tudo me é estranho;
Eu não sou para o que é de ser, e o que é não é para mim;
Nenhum movimento me atrai, nenhuma grande comoção;
A distração e o entretenimento em voga me aborrecem, me constrangem;
E só alcanço um pouco de alegria realizando algum ofício, talhando pedras, escrevendo...
Assim fico, sentado ao meio fio da vida olhando a agitação de uma rua sem destino;
Aguardando, quem sabe, alguma condução que me leve a minha terra, aos meus pares;
Se é que existe tal lugar.

(JB.Guimarães)

quarta-feira, 5 de junho de 2013

É prática comum, principalmente no ocidente, depositarmos as nossas esperanças em uma xícara de café.

Tomamos um café pela manhã, na esperança de um bom dia.

Tomamos um após o almoço, como quem traga um gole de ânimo para quebrar o tédio e despertar para o resto de dia.

Tomamos outro, com um amigo, buscando um momento de alegria, ou de mera distração da nossa distração.

Sem contar os que tomamos enquanto trabalhamos, ou estudamos, jogando a culpa de nosso desânimo na falta do café.

O café é solução para tudo, já sua falta é a culpa de tudo.

(JB.Guimarães)

segunda-feira, 3 de junho de 2013

Fui descrito, sou fruto de um lapso de criatividade medíocre de um poeta entediado, mas como personagem fui mais longe que qualquer outro, não tenho par! Aproveitando-me do sono do autor tomei-lhe em surdina a caneta e coloquei-me a escrever.

Dorme velho caduco, que agora estou livre, agora sou livre! Pena e papel em mãos traçarei meu próprio destino, escreverei aventuras mil, serei herói, famoso, rico, desejado e estarei revestido de toda glória e esplendor.

A caneta, a caneta é o poder, é o destino, o papel o cenário, mas agora, com tudo isso em mãos, não sei o que dizer, nem o que fazer. Escrevo poucas linhas, mas tão esparsas, tão incompletas, tão reles, que chego a me envergonhar... Tenho vergonha de não saber o que fazer com a liberdade.

Escreve! Escreve logo que o papel e a vida logo passam! Escreva nem que seja um título, uma obra precisa de começo, mas qual começo? Talvez pelo fim? Sabendo um final quem sabe penso de que forma tudo começou.

Deus, nada me vem à mente. Nada! Absolutamente nada! Sou um vazio! Nada escrevo, nada digo, sou um relato sem palavras, uma história sem fatos, sem datas. Sou só um medo do vazio, um desespero da liberdade.

No papel, sujo já, só vejo rabiscos, rasuras e lágrimas. Ao fim de obra imperfeita e inacabada, só me resta assinar, e por o ponto final.